Transformação 4 · Bioeconomia

Bioeconomia: da floresta ao mercado

O Pará tem a maior floresta tropical do planeta na porta de casa. A pergunta que a FAPESPA passou a fazer é: como transformar isso em ciência, produto e renda — sem repetir o velho ciclo de exportar matéria-prima bruta?

+60

PROJETOS DE BIOECONOMIA CONTRATADOS DE 2019-2026 (+ R$ 30 MILHÕES)

+300

pesquisadores envolvidos nesses projetos

15

CADEIAS PRODUTIVAS COM AMPLO INVESTIMENTO EM CIÊNCIA

+75

EMPRESAS APOIADAS PELO CENTELHA E TECNOVA ATÉ 2026

Bioeconomia · Uma nota honesta sobre o tempo

Isso não começou forte em 2019 — e está tudo bem dizer isso

Diferente dos dados e das bolsas, que já eram robustos desde o início da série, a bioeconomia é a transformação mais recente deste livro. Mostramos o crescimento real, sem forçar uma continuidade que os dados não sustentam.

2019–2020

Bioeconomia ainda não é um eixo próprio — aparece diluída em projetos ambientais e de pesquisa aplicada.

2021–2022

O Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio) ganha força institucional. A palavra “bioeconomia” passa a aparecer com peso próprio nos relatórios da FAPESPA.

2023

Bioeconomia vira eixo estruturante dos editais — 42 projetos contratados, R$ 11,3 milhões, 192 pesquisadores.

2024–2026

Casos concretos de produto e mercado aparecem: startups como Amazônia Sour e incubadoras como a MULHERES ECO.

Fonte: base mestra de indicadores FAPESPA 2019–2025 — nota de honestidade editorial.

Caso real · 2025

Uma kombucha com sabor da Amazônia

A “Amazônia Sour” é uma startup de kombucha — bebida fermentada probiótica — que usa sabores amazônicos como matéria-prima central. É bioeconomia no sentido mais literal: pegar o que a floresta oferece e transformar em produto de mercado, com marca própria e tecnologia de fermentação.

O projeto recebeu subvenção econômica via Centelha II — o programa da FAPESPA que existe justamente para isso: tirar uma boa ideia de bioeconomia do papel e colocar no mercado.

Centelha II

programa de subvenção econômica que financiou o projeto

Kombucha

bebida fermentada probiótica, categoria em crescimento no mercado nacional de bebidas funcionais

Por que este caso importa

É a prova de que “bioeconomia” não precisa ser um conceito abstrato de política pública — pode ser uma garrafa na prateleira, com CNPJ, marca e cliente pagando por ela.

Fonte: Relatório de Gestão FAPESPA 2025, p.15.

Caso real · 2025

As mulheres que batem o açaí viram empreendedoras

O projeto “MULHERES ECO”, com a incubadora EcoAçaí, capacita batedoras artesanais de açaí e outras empreendedoras a formalizar e qualificar o próprio negócio — incluindo treinamento em Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Procedimentos Operacionais Padrão (POP), os requisitos técnicos que separam uma produção informal de uma que pode vender formalmente.

A incubadora funciona dentro do IFPA, em Belém — ligando ensino técnico público a um dos elos mais tradicionais e menos reconhecidos da cadeia do açaí: quem bate o fruto todo dia, quase sempre mulheres.

DEPOIMENTO

"Antes eu batia o açaí e vendia para quem passava. Hoje tenho um CNPJ, aprendi a fazer a BPF e o POP, e o meu açaí chega em mercados que eu nem imaginava."
Maria Auxiliadora / Batedora Artesanal

IFPA – Belém

instituição pública que sedia a incubadora EcoAçaí

BPF / POP

certificação técnica que qualifica a produção para venda formal

Fonte: Relatório de Gestão FAPESPA 2025, p.13–14.

Bioeconomia · Centelha e TECNOVA

Os dois programas que financiam a ponte entre ideia e empresa

Nem toda boa ideia de bioeconomia nasce pronta para o mercado. Centelha e TECNOVA existem para cobrir essa distância — um cuida da fase inicial, o outro da fase de crescimento.

Centelha — fase inicial (ideação e validação)

878

propostas recebidas no Centelha 2 

200

selecionadas para a 2ª fase

+49

empresas apoiadas até 2026

TECNOVA — FASE DE CRESCIMENTO (FINEP)

R$ 11 mi

captados via FNDCT/FINEP

R$ 2,8 mi

de contrapartida do Estado

R$ 16,6 MI

total mobilizado até 2026

O funil, em uma frase

Centelha pega uma ideia com potencial e ajuda a virar empresa. TECNOVA pega uma empresa que já existe e ajuda a inovar e crescer. Amazônia Sour e MULHERES ECO — os dois casos das páginas anteriores — nasceram exatamente nesse funil.

Fonte: Relatórios de Gestão FAPESPA 2022–2024.

Bioeconomia · Cadeias em foco

15 CADEIAS PRODUTIVAS: DA FLORESTA PARA A CIÊNCIA

Ao menos 15 cadeias ou segmentos produtivos com projetos apoiados entre 2019 e 2026.

Açaí

7 projetos vinculados

  • P01

    Dinâmicas de trabalho e circuito de produção do açaí em Abaetetuba/Cametá

    TC 010/2019 · UEPA

  • P02

    Papéis e filmes nanoestruturados com fibras do resíduo do açaí

    Convênio 030/2021 · Fundação Guamá

  • P03

    Qualidade, segurança e estabilidade de grãos de açaí torrado e moído

    TCTF 006/2022 · UEPA

  • P04

    Inov’Açaí: conhecimentos, inovações e políticas para produção comunitária

    UFPA · desembolso em 2023

  • P05

    Bioeconomia tradicional em sistemas socioecológicos de produção de açaí no estuário amazônico

    MPEG

  • P06

    Embalagens biodegradáveis com amido de mandioca e resíduo de caroço de açaí

    UFPA/FADESP

  • P07

    Tecnologias de irrigação e adubação para cultivo de açaizeiro

    Convênio PD&I 002/2024 · UFRA

O padrão comum às cadeias

Em nenhum dos casos a FAPESPA está criando uma cadeia produtiva do zero — está pegando algo que o Pará já produz e adicionando ciência para produzir com mais valor, menos desperdício e mais tecnologia. As quantidades são mínimos do inventário selecionado, não totais exaustivos de contratos por cadeia.

Fonte: Relatórios de Gestão FAPESPA 2019–2025 · apuração documental.

Fechamento · Transformação 4

O que mudou: a floresta virou laboratório e vitrine

+100

STARTUPS QUE FORAM APOIADAS PELA CIÊNCIA NO ESTADO DO PARÁ

+49

EMPRESAS APOIADAS PELO CENTELHA E TECNOVA

+R$ 15M

MOBILIZADOS PARA NEGÓCIOS DA BIO E SOCIOBIOECONOMIA NO PARÁ

15

CADEIAS PRODUTIVAS COM CIÊNCIA AGREGADA: AÇAÍ, CACAU, PISCICULTURA, ENTRE DIVERSAS OUTRAS.

A bioeconomia paraense não é mais só uma palavra em plano de governo. Tem CNPJ, tem produto na prateleira, tem mulher que bateu açaí a vida toda e agora também empreende. É a floresta em pé virando renda — sem precisar virar madeira cortada.

Próximo: um Pará mais conectado